CURSO DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS - CAO - 1998
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Navegando CURSO DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS - CAO - 1998 por Autor "CLÓVIS DE SOUSA E SILVA"
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Item Reformas Prematuras: Insanidade Mental - Causas e Efeitos com o Serviço Policial Militar(1998) FELIPE ARCE RIO BRANCO; CLÓVIS DE SOUSA E SILVAA insanidade mental aporta em grande escala às Corporações Policiais Militares do País. Em Goiás, não é diferente. O índice de reformas prematuras, tendo como causa os distúrbios psiquiátricos atinge o percentual de 31,5% (trinta e um e meio por cento) do total das patologias. A causa principal é o ambiente em que os policiais desenvolvem suas atividades interagidos por fatores pré-disponentes. É a sobrecarga de trabalho, excesso de cobrança dos superiores, conforme a posição hierárquica, o policial encontra-se submetido a pressões conflitantes: as que partem dos Comandantes que querem ver o serviço aparecer, isto porque também estão sendo cobrados da sociedade, do governo e daqueles que são seus subordinados, os quais reclamam das escalas insuportáveis, da falta de descanso e do lazer, fora as pressões externas, seja de família, ou por problemas financeiros, por moradia, por problema de saúde, constante enfrentamento de situações de risco, ou por questões de auto-estima e coleguismo. Essa atividade excessivamente hostil, submissa, faz com que as emoções contidas (em 83% dos pesquisados), que não chegam a ser satisfeitas, exteriorizem por sintomas ou alterações funcionais ou orgânicas, como ansiedade anormal, alterações do sono, diminuição da memória, dificuldade da concentração, etc., que por sua vez desencadeiam uma série de patologias físicas, como a gastrite, a úlcera, problemas cardíacos, hipertensão, asma e outros. No caso de pessoas com estrutura psicológica mais frágil, causam neuroses graves ou até psicoses, outras procuram refúgio no álcool ou até tentam suicídio. O serviço policial-militar é desgastante, fatigante e muitas vezes traz sérios aborrecimentos. O militar, que é um ser humano normal, necessita de tempo suficiente para sua restauração física e mental. É para atender a essa necessidade psicossomática que existem o descanso e a folga, sem os quais o homem não suportaria as cargas da vida diária do trabalho, contudo, não é o que está acontecendo. Nos dados colhidos em unidades operacionais da capital, o desrespeito a esses fatores atingem 74% (setenta e quatro por cento). Por isso, é fácil aceitar, ser o estresse um companheiro constante, em todos os níveis de atuação. As clínicas de psicologia, como a da Caixa Beneficente, de psiquiatrias particulares e o Hospital da Polícia Militar estão 0 cheios de praças e oficiais com sérios transtornos emocionais e com alta taxa de alcoolismo. O ideal é trabalhar prioritariamente, logo na entrada, para evitar ingresso de indivíduos com problemas. É na seleção que está o jogo para se obter o policial ideal, ajustável em todos os aspectos à função que vai exercer. A seleção tem que ser voltada para o indivíduo emocionalmente equilibrado, sem frustrações, sem tendência ao alcoolismo e até mesmo drogas, sem desvios sexuais, sem distúrbios de personalidade, sem psicopatologia considerada perniciosa e ser possuidor de inteligência média acima. Admite-se que o trabalho seja integrado; além de psicólogo, deve compor a comissão, um psiquiatra. É imprescindível contribuição de psicólogos e assistentes sociais, principalmente nos quartéis de grande contingente, para que seja melhorado o ambiente de trabalho, reduzindo os níveis de tensão existentes. Medidas devem ser tomadas, a curto prazo, senão instituição poderá inviabilizar-se sob os moldes existentes porque está diminuindo consideravelmente seus recursos humanos destinados à atividade-fim.